Crônica do Dia – Dicas Para Emagrecer com Humor – Por Nena Medeiros

Este texto é especial para as mulheres, pois 101% delas acreditam estar ligeira ou morbidamente acima do peso. Por mais que nossos homens insistam, bem no popular típico do universo masculino, que “gostam de ter onde pegar”, nós queremos ostentar as curvas e lisuras das modelos photoshopadas das revistas.

Nena Medeiros

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Então, antes que você perca, à toa, peso, saúde, seu marido e alguns bons bocados dessa maravilhosa lasanha aos quatro queijos que está olhando pra você agora, convém ter mesmo certeza de que seu peso está acima do normal. Vamos falar disso mais a frente.

Este texto deveria interessar também aos homens. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a obesidade já se constitui numa epidemia global, tendo inclusive ultrapassado, em números, os casos de subnutrição. Manter seu peso e medidas sob controle, além de melhorar seu poder de sedução, é uma questão de saúde. A circunferência da cintura não diz apenas sobre o seu salutar hábito de tomar umas cervejinhas. Ela costuma ser usada, em conjunto com o IMC (Índice de Massa Corpórea, que é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado) para determinar a sua condição física.

Um IMC abaixo de 18.4 indica uma pessoa magra e acima de 29.9, obesa. Entre 25 e 29.9, pode-se considerar uma faixa de purgatório, denominada, com algum eufemismo, de sobrepeso.

Se o diâmetro da sua cintura está abaixo dos 94 cm, sendo homem, ou 80 cm, sendo mulher e seu IMC está dentro na normalidade, ou seja, varia entre 18.5 e 24.9, e ainda assim seu corpo não lhe agrada, saiba que emagrecer vai fazer de você apenas uma pessoa mais magra e ainda insatisfeita com ele. Neste caso, melhor apelar para as atividades físicas. Um bom personal trainner pode fazer maravilhas pelo seu corpo.

Ei! Não leve para o buraco negro da maldade! Estou falando de puxar ferro, exercitar os músculos, suar, arfar e… Ops! Parece que estou piorando as coisas. Bem, entenda como quiser, mas, esse outro tipo de ginástica que você pensou, bastante aeróbico e efetivo para fortalecer toda a musculatura do abdome, glúteos e coxas pode ser praticado com qualquer profissional e até alguns bons amadores, não precisa ser um personal trainner.

Se você fez os cálculos, tirou as medidas e concluiu que está mesmo gordo, até no entendimento da OMS, é hora de tomar uma atitude.

A primeira dica é identificar a causa e a gravidade do problema, para determinar a necessidade de cirurgia ou o uso de medicamentos, principalmente se seu IMC ou a circunferência da cintura apontam para a obesidade. É importante diagnosticar diabetes, hipertensão, altos níveis de colesterol. Descartadas causas clínicas, é hora de adotar a solução mais efetiva, a única que tem 100% de eficácia, a velha duplinha hipolipo-dinâmica: fechar a boca e praticar atividades físicas. O ideal é procurar um bom nutricionista. Converse com ele, sinceramente. Não adianta sair de lá com uma dieta que você sabe que não vai conseguir cumprir. Negocie trocas, concessões. Comer, uma vez por semana, um bombonzinho ao invés daquele potinho de gelatina dietética sem graça, pode significar o suporte psicológico necessário a todas as privações que se seguirão nos próximos sete dias. Isso se essa pequena guloseima estiver dentro do script. Fora dele, pode ter certeza que não só ela não saciará nada, como ainda irá pesar muito mais na balança. Afinal, caso você não saiba, a culpa tem três vezes mais calorias do que o pecado.

Se você é capaz de matar por um pão com manteiga, deixe isso claro. Um bom médico tem a obrigação de contrabalançar essas suas necessidades e desejos e, em último caso, vocês irão traçar um programa de emagrecimento menos ambicioso, em que você demorará um pouco mais a atingir o peso ideal, mas irá fazê-lo com menos sofrimento. Se o seu sobrepeso, porém, não for muito maior do que uns três ou quatro quilos, talvez valha a pena investir pesado na dieta para livrar-se logo deles. Quando acompanhada por exercícios, a maioria das dietas hipocalóricas, costuma produzir esse resultado em um mês ou, no máximo dois.

Se você é capaz de calcular sua ingestão diária de nutrientes sozinho, pode dispensar o nutricionista. Lembre-se que a alimentação equilibrada precisa conter, nas proporções adequadas, gorduras (5 a 15%), proteínas (20 a 30%) e carboidratos (55% a 65%), além das vitaminas, sais minerais e fibras. Isso pode ser razoavelmente garantido com o consumo de 6 a 11 porções de alimentos do grupo dos pães, massas, cereais, 2 a 5 porções do grupo das hortaliças, 2 a 4 porções do grupo das frutas, 2 a 3 porções do grupo das carnes, ovos e grãos e do grupo dos laticínios e o mínimo possível de gorduras e açúcar. Se você é vegano como eu, substitua essas proteínas por vegetais escuros, feijões, soja, grão de bico, cogumelos, algas e outros que tais, ótimas fontes de proteína vegetal.

Veja lá, está tudo separadinho: massa é só o macarrãozinho, não é a lasanha aos quatro queijos que ainda está sorrindo pra você. Agora, apenas um pouco mais fria, mas ainda deliciosa… O-ho! Acho que não estou ajudando.

Periodicamente surgem umas dietas meio malucas, ditas “da moda”: dieta da Sopa, da Lua, de Atkins, dieta das proteínas, de Beverlly Hills, do tipo sangüíneo, Volumetrics, Herbalife e outros shakes… A maioria produz resultados rápidos, mas como exigem mudanças rigorosas e provisórias nos hábitos alimentares, normalmente ao voltar à alimentação normal, o indivíduo retoma também os velhos maus hábitos e a tendência é recuperar os quilos perdidos, às vezes com juros e correção. Por isso, o ideal é adotar uma alimentação saudável e balanceada como forma de vida e, a única coisa de diferente que haverá nela quando você estiver de dieta será a redução na quantidade. Quanto às atividades físicas, está provado: não basta pagar a mensalidade da academia. Pode parecer incrível, mas é preciso fazer as aulas. Com afinco. O ideal é sempre procurar um médico antes de começar. Faça uma avaliação, comece devagar. Não é porque todo mundo usa caneleira de quatro quilos, que você vai sentir-se envergonhado de usar apenas um quilo, meio ou mesmo caneleira nenhuma. Fique atento às determinações do seu instrutor, nada de querer fazer uma série tão longa quanto a daquele sujeito que passa o dia inteiro levantando ferro. Sinta seus músculos, ouça-os. Eles lhe dirão a hora de parar antes de deixá-lo entrevado no dia seguinte. Mas, ouça-os com moderação. Também não é para parar tudo e sair de maca ao primeiro gemido da panturrilha. Ela é meio chorona mesmo, dá para dar uma forçadinha. Se você, assim como eu, odeia academia, não conseguirá frequentar uma por mais do que seis meses. sou capaz de apostar minhas carteirinhas da RunWay, da ACM, da Planet Fitness e da Scalla… Só não aposto a minha esteira ergométrica porque é o melhor cabide elétrico que alguém poderia ter.

Neste caso, esqueça a musculação e a ginástica. Identifique uma atividade que lhe dê prazer. Eu pratico tênis e ioga. Há quem goste de nadar, jogar vôlei, pedalar, correr, passear com o cachorro… Não esqueça os saquinhos plásticos para recolher as… você sabe. Vale quase qualquer atividade no combate ao sedentarismo, desde que leve ao menos uns trinta minutos diários e envolva alguma movimentação. Se fizer suar, melhor. Vale fazer faxina, lavar e passar roupas, cuidar de crianças, fazer amor (oba!)… Acompanhar as Olimpíadas pela TV não vale. “Alterocopismo”, menos ainda. Na internet é possível obter os consumos calóricos de cada atividade, bem como identificar os músculos trabalhados mais intensamente. Uma busca no Google pode ser muito útil e talvez você identifique que até cuidar do jardim e atrair borboletas pode ser uma atividade física interessante.

Porém, escrever sobre isso, não é. A não ser que você adote o sistema de escrita dos Flintstones e grave, com marteladas, o seu texto na pedra, em quantas vias se fizerem necessárias e depois carregue, às costas, o texto para entregar a cada um de seus contatos.

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Sobre o Autor

Nena Medeiros

Nena Medeiros, escritora carioca radicada no DF, é colunista do jornal Alô Brasília, jurada em concursos literários, imortal pela ALB/DF, tem mais de mil textos publicados (www.nenamedeiros.com), participação em diversas coletâneas e revistas e três livros impressos: Contos Crônicos, Contos Crônicos 2 e Ô, Coisa Boa!

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