Crônica do Dia – OS DIAS SE VÃO – Por Zélia Maria Freire

“Enquanto não chega a minha hora, o que faço é procurar o porto seguro da verdade”

Zélia Maria Freire

Zélia Maria Freire

O dia é um daqueles que você levanta, olha o mundo pela janela, depois desvia para o calendário , lembra o poeta Apollinaire e com sotaque nordestino , repete quase num sussurro, versos do poema “Point Mirabeau”, que diz : Les jours s`en vent. Je demeure. Significando : “ Os dias se vão. Mas eu permaneço”. E neste permanecer, “passam os dias e passam as semanas. Nem o tempo passado nem os amores retornam. Sob a ponte Mirabeau desliza o Sena. Vem a noite, o tempo não demora. Os dias se vão. Não chegou minha hora”.

E, enquanto não chega a minha hora, o que faço é procurar o porto seguro da verdade, mas, por mais que medite em torno dos problemas existenciais, só me ocorre idéias preconcebidas. Se me angustio e indago a razão do chegar e partir, principalmente do partir, terei que me contentar com o que já foi dito: a finitude está sempre na base das dúvidas, indagações e da inquietação conseqüente.

Então, eu me volto para a poesia, não necessariamente buscando conhecimento; mas sensibilidade poética, pois, como afirma o poeta Mendes Melo, através dela, também se diz, se pergunta se afirma.

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Sobre o Autor

Zélia Maria Freire

ZÉLIA MARIA FREIRE É membro da Academia Feminina de Letras do Rio Grande do Norte, autora do livro “EU TINHA UM PEDAÇO DE MAR" Foi classificada no concurso de poesias John Perry em Dallas USA. Escreve para o Recanto das Letras, mais de 1.300 textos publicados e agora, também, para o Jornal de Caruaru.

Comentários

  1. Nena Medeiros
    Nena Medeiros 20 abril, 2017, 17:25

    Poesia é barco que atravessa o mar da existência. Muito bom!!

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