Cultura e Cidadania – Casa dos Artistas realiza Tributo ao mestre Camarão – Por Paulo Nailson

“Ao longo da carreira, Camarão gravou cerca de 27 discos, entre 78 rpm, LPs e CDs.”

Depois de um ano sendo planejado acontecerá enfim o Tributo à Camarão. A Casa dos Artistas, que fica no Polo Cultural da antiga Estação Ferroviária, vem realizando desde quando foi instalada na antiga Estação Ferroviária, eventos em homenagem a artistas. Sempre é feito de forma espontânea e com participação voluntária de outros artistas que sempre dão uma “canjinha” cantando, declamando e contribuindo com sua arte para abrilhantar o evento.

Assim já foram homenageados artistas como o ator Adélio Lima e a carnavalesca Ivete Cairo. O responsável pela casa é o filho do mestre da Xilogravura Dilla, Valdez Soares, que sempre cuidou muito bem do espaço que é agora também chamado de Memorial Mestre Dilla. A casa abriga diversos materiais de artistas de caruaru, como literatura de cordel e livros de escritores, CDs, obras de arte e outros artigos. É visitada por pessoas do município, de outros lugares do Brasil e até de outros países. A ideia de transformar a antiga Estação Ferroviária em um Polo de Cultura foi uma demanda de vários segmentos da III Conferência Municipal de Cultura, realizada ainda em 2013, com cerca de 400 participantes de todos os segmentos da cultura.

A ideia do evento nasceu de um convite à Thadeu Siqueira, um dos filhos de Camarão, que passou a programar com os demais membros da família e músicos amigos e admiradores do mestre até chegar neste memorável dia em que juntos vamos cantar e ouvir as canções de Camarão.

Um pouco da história do mestre

Filho de um agricultor e sanfoneiro, começou a tocar ainda criança. Treinando escondido, em pouco tempo conseguia tocar a toada “Maria Bonita” que era sucesso nos forrós no final da década de 1940. O pai, quando ouviu o filho tocar, pulou de alegria e o incentivou a seguir a carreira artística já na infância. Em 1960, ingressou na Rádio Difusora de Caruaru, na qual conviveu com grandes nomes da música popular brasileira como Sivuca e Hermeto Pascoal. Foi nessa época que ganhou o apelido que o consagraria. Um dia, estando atrasado para o programa, chegou correndo na Rádio e o compositor Jacinto Silva que o viu chegar como o rosto todo vermelho falou: “Pronto, chegou o Camarão”. A partir daí passou a ser conhecido como Camarão. Na Rádio Difusora de Caruaru, criou o Trio Nortista, que foi seu primeiro grupo musical. Em 1962, foi contratado pela gravadora pernambucana Mocambo e lançou seu primeiro disco, um 78 rpm com o arrasta-pé “Arrasta-pé no Jucá”, de sua autoria, e o xote “Choradeira”, parceria com Onildo Almeida. Em 1963, gravou os forrós “Cabra da peste” e “Fungado bom”, de sua autoria. Em 1965, participou da coletânea “Forró do Zé do Gato” da gravadora Mocambo, interpretando os forrós “Seu Vargulino” e “Polquinha no Agreste”, ambos de sua autoria.

Criou a primeira banda de forró do Brasil

Dois anos depois, participou da coletânea “Viva São João – VOL. 4”, também da gravadora Mocambo, interpretando o “Arrasta-pé no Jucá”, de sua autoria e o xote “Choradeira”, parceria com Onildo Almeida. Em 1967, fez parte da coletânea “Nordeste Cabra da peste” da Mocambo, interpretando os xotes “Cabra da peste” e “Fungado bom”, de sua autoria. Em 1969 e 1970, teve dois LPs produzidos por Luiz Gonzaga na RCA Victor. Em 1976, gravou pelo selo Tropicana/CBS o LP “Forró no palhoção – Camarão e Seu Acordeom”, interpretando, de forma instrumental, doze xotes de sua autoria: “Forró do Ivan”; “Não atrapalha”; “Forró no Palhoção”; “Cala boca Paulina”; “Forrozinho moderno”; “Quadrilha Bossa Nova”, “Diferente”, “Manhoso”, “Relembrando cacho de coco”; “Briga de galo”; “Vou tomar cuidado” e “Canto da siriema”. Em 1977, participou da coletânea “Sorte”, um lançamento independente, contendo gravações com as versões musicais dos jingles usados pela Caixa Econômica Federal, na divulgação das extrações da Loteria Federal, com a participação de diversos artistas. Nesse disco registrou com Tavito o jingle “Extração de São João”, de Mariozinho Rocha e Paulo Sergio Valle. Em 1978, participou do LP “Forró picado”, do selo Itamaraty/CID, interpretando os forrós “Tex”, com Solon Cabral, e “Forrozando”, com Rato de Hi / Fi. Em 1998, lançou o CD “Camarão plays forró”. Em 2000, em comemoração ao seus 50 anos de carreira, lançou o CD “Forrofando em Caruaru”. Fundou a escola de música “Acordeom de Ouro” em Caruaru, onde passou a lecionar. Formou entre outros, os músicos, Diego Reis, da Banda Lampiões e Maria Bonita, e César do Acordeon, da banda de Maciel Melo. É considerado o criador da primeira banda de forró do Brasil. Foi também o primeiro a colocar metais em banda de forró. Regeu a primeira orquestra sanfônica de forró de Caruaru.

Ao longo da carreira, gravou cerca de 27 discos , entre 78 rpm, LPs e CDs. Em 2001, fez os arranjos das sanfonas e tocou sanfona e baixo sanfonado em todas as faixas do CD “Xote pé de serra”, de Santana O Cantador. Em 2010, participou do 2º Festival Internacional da Sanfona, realizado nas cidades de Juazeiro na Bahia, e em Petrolina, em Pernambuco, ministrando uma oficina de sanfona de 120 baixos. É considerado um mestre da sanfona e referência da música do Nordeste.

Serviço:

Tributo à Camarão

Participação de: Trio Café com Leite, Trio Avolante, Mestre Zé do Estado, Humberto Bonny, André Julião, Vinicius, Joãozinho de Bezerros, Matheus, Sebastian, Sandro Sanfoneiro, Waldir Lyra Gravatá, Andrezinho e Júnior da Sanfona.

Quinta, 21 de abril, 11 da manhã

Casa dos Artistas

Polo Cultural da antiga Estação Ferroviária

O evento é gratuito

Categorias: Paulo Nailson

Sobre o Autor

Paulo Nailson

Escreve no Jornal de Caruaru a coluna Cultura e Cidadania e no blog Política de AaZ. É responsável pelo blog presentiaonline. Atua na Cultura e no meio político. Informações para este espaço: paulo_nailson@hotmail.com

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