Cultura e Cidadania – Museus: Formando cidadãos através do resgate da memória

Banner Cultura e Cidadania

Estamos na Semana Nacional dos Museus, em todo país desde ontem muitos espaços museológicos estão com programação especial. A ideia desta coluna hoje é dialogar e levantar algumas questões sobre o tema.

Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano

O Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (Pernambuco) foi o primeiro museu do Brasil, datado de 1862.

Muitos ainda enxergam o museu como um lugar que abriga o velho, coisas antigas. Traçam o perfil de um ambiente sem vida. Ocioso. A maioria dos museus no país, públicos ou privados, ainda que haja boas e raras exceções, precisam melhorar a infra-estrutura, a programação e o acervo, além de necessitar de mão-de-obra qualificada. O Sistema Brasileiro de Museus conseguiu avançar, mas ainda timidamente.

É preciso olhar o Museu com a possibilidade de formar cidadãos através do resgate de uma memória que transcende os objetos compilados naquele determinado acervo.

A palavra “MUSEU”, de origem grega, significa “templo das musas”, e já era usado em Alexandria para designar o local destinado ao estudo das artes e das ciências. Mesmo se observarmos a definição oficial de museus defendida pela Recomendação Unesco (documento de 2015) e utilizada pelo Icom – Conselho Internacional de Museus, servindo como parâmetro para a comunidade internacional, teremos dificuldade em chegar a um consenso sobre o que é museu hoje. Segundo o Icom, “um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, pesquisa, comunica e exibe uma herança tangível e não tangível da humanidade e seu meio para fins de educação, estudo e entretenimento”. Mas ao longo dos anos muita coisa foi mudando e essa definição ficando muito limitada. Há museus impermanentes, temporários; há museus com fins lucrativos; e há museus atuando sem um acervo fixo ou para um público muito restrito, embora acredite estar a serviço de toda a sociedade.

Enfim, sabe-se que o homem está sempre preocupado em preservar sua história e sua memória. Ele tem acesso ao seu passado através de relatos ou depoimentos de testemunhas oculares, documentos, textos, etc. Ou quando se defronta com as imagens que habitam um museu. Mas apesar disso nos levar ao passado, o museu também é um lugar de possíveis diálogos entre presente e futuro. Um abrigo do velho e do novo. Mas do que uma instituição destinada às festinhas e passeios de estudantes, tem um papel cultural importante, além, abrigar os registros do tempo, é um veículo a serviço do conhecimento e da informação que contribui para o desenvolvimento da sociedade.

A cidade precisa uma tradição cultural e do exercício da cidadania, para que ela própria signifique. Um museu guarda mais do que obras e objetos de valor e de prestígio social, uma situação, um fragmento da história, portanto um problema cultural. Um museu deve ser um centro de informação e reflexão, onde o homem se reencontra com o belo, a história e a memória.

 

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS

Exatamente no dia em que se comemora o aniversário de nosso município, 18 de maio, é comemorado o Dia Internacional dos Museus. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a visitação a museus têm crescido nos últimos anos. Entre 2014 e 2015, o público cresceu em 675.140 visitantes. Durante a Semana de Museus do ano passado, a visitação cresceu 79%. A Semana de Museus, promovida anualmente pelo Ibram e que este ano começou ontem (15), tem contribuído para aproximar a população brasileira dos museus. O tema desta edição é Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus, proposto para ser trabalhado em atividades diversificadas pelos 1.070 museus inscritos em 485 municípios. A programação especial conta com mais de 3 mil atividades como palestras, workshops, saraus culturais de artesanato, artes plásticas, literatura e música, peças de teatro, contação de histórias e “garimpo” de objetos antigos junto a colecionadores.

MUBAC

Em Caruaru o Museu do Barro participa da Semana dos Museus com duas exposições: Novena e Zé Cabloco. A exposição “A Religiosidade em Barro – Novenas” reúne peças das artesãs do Grupo Flor em Barro e retrata uma das tradições religiosas mais expressivas do Alto do Moura, a novena de São Sebastião. Já ‘Zé Caboclo – Um dos Ícones do Universo do Barro’, iniciou ainda em março na passagem de seu aniversário.

Categorias: Paulo Nailson

Sobre o Autor

Paulo Nailson

Escreve no Jornal de Caruaru a coluna Cultura e Cidadania e no blog Política de AaZ. É responsável pelo blog presentiaonline. Atua na Cultura e no meio político. Informações para este espaço: paulo_nailson@hotmail.com

Deixe um comentário

Você está autenticado como Paulo Nailson | Sair

Seja o Primeiro a Comentar!

Notify of
Paulo Nailson
wpDiscuz