Coluna do Dia – ACROBACIAS – Por Malude Maciel

Não existem duas pessoas iguais. Cada indivíduo é único e tem peculiaridades diferentes. Os dons e talentos, Deus os dá como Ele quer e, são diversos. É muito interessante observar-se como uns têm capacidades e facilidade para algumas coisas e outros são hábeis para outras, sendo assim nascem os artistas.

Malude Maciel

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Há muito tempo que não vemos Circos por aqui; antes eram muitos que chegavam à cidade e faziam seus desfiles chamando o público para ver os seus famosos espetáculos. Um terreno em frente ao Grupo Prof. Vicente Monteiro e à fábrica de caroá (onde funciona há anos o Espaço Cultural Tancredo Neves abrigando a Fundação de Cultura), na Rua Júlio de Melo-Caruaru, era um local propício para armação de vários e grandes circos constituindo sucesso garantido. Lembramos o Circo Garcia que sempre aparecia cada ano.

A população gostava bastante daqueles números circenses onde se aplaudia o mágico, palhaços e acrobatas experientes com seus números incríveis nos trapézios, havendo um que era chamado: “O Globo da Morte”, pois era perigoso e sensacional. Animais tinham seus números nas programações (cachorros, elefantes, macacos, cavalos e outros, mas o IBAMA proibiu, com razão, tais práticas que maltratavam as “feras”).

Com o passar do tempo e a evolução da tecnologia que trouxe para dentro de casa a televisão a cores, os vídeos e depois o telefone sem fio e celulares com recursos incríveis como: a internet, WhatsApps, Instragram, Facebooks, câmeras fotográficas e outros que acompanham o usuário à qualquer lugar mostrando filmes, trocando mensagens e em contato direto com o mundo globalizado; do próprio sofá se vê programações gerais ao vivo ou gravadas; assim desapareceram alguns costumes de diversões públicas que sofreram decadência, como os cinemas, teatros e principalmente os circos que vinham de outras plagas, armavam suas tendas e fascinavam os habitantes com suas novidades.

Depois de 146 anos de existência, o circo mais famoso do mundo: Ringling and Barnum que se apresentava nos Estados Unidos, não suportando as despesas e queda de público, encerrou sua trajetória internacional; não sendo um fato isolado, mas comum nesse ramo.

Ultimamente deparamo-nos com acrobatas nos semáforos, aproveitando os minutos do sinal fechado para fazer a sua exibição como artistas ginásticos das ruas e do asfalto, batalhando por alguns trocados. Na maioria adolescentes equilibristas tentando através do seu show sensibilizar motoristas ali parados obrigatoriamente a contribuir com alguma ajuda. Às vezes são malabaristas treinados com movimentos que revelam agilidade e precisão que poderiam ser aproveitados, mas apenas mendigam num momento em que o país está com altíssimo índice de desemprego. Melhor do que cair no crime com pequenos furtos por desespero e necessidade aumentando o medo na sociedade.

Com aquelas práticas circenses seriam bons atores num palco qualquer, porém as ofertas estão cada dia mais escassas, prevalecendo a criatividade. Os condutores observam dos seus carros, os exercícios até interessantes, mas quase não contribuem com nada, havendo até orientações pedagógicas de não dá dinheiro para não viciar.

E as acrobacias da vida continuam … os problemas também.

Vivemos equilibrando acrobaticamente tentando driblar os tombos cotidianos com maestria.

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Sobre o Autor

Malude Maciel

Escritora, poetisa, membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras e colunista do Jornal de Caruaru.

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