O ‘mercado’ abandonou Temer – Por Hélio Gaspari

A mesma turma que contribuiu para a queda de Dilma sonha com o que seriam as reformas de Rodrigo Maia

Hélio Gaspari - © O Globo

Hélio Gaspari – © O Globo

A primeira ideia foi a de se eleger Aécio Neves. Faltaram três milhões de votos (3%). Então veio a segunda chance, a de se derrubar Dilma Rousseff. Deu certo, e Michel Temer foi para o Planalto com uma plataforma oposta à da campanha de Dilma, mas com uma base de apoio parlamentar quase idêntica.

O chamado “mercado” encantou-se com a restauração de Temer e seu projeto de reformas. Agora que o governo esfacela-se, a mesma turma que contribuiu para a queda de Dilma sonha com o que seriam as reformas de Rodrigo Maia. Sabem que a da Previdência sobrevive só no essencial: a criação de um limite mínimo de idade para a maioria das aposentadorias. A trabalhista está vendida às centrais sindicais que não vivem sem a unicidade e o imposto de um dia de trabalho da choldra.

O “mercado” começou a vender Temer, comprando Rodrigo Maia. Jogo jogado. A Lava-Jato ensinou muitas coisas e, talvez, a principal tenha sido a exposição de como o andar de cima faz política com o caixa dois.

Deixando-se 2017 de lado, vem aí 2018, e será preciso surgir um candidato capaz de enfrentar Lula (ou seu poste). Se o andar de cima parar de reclamar do Brasil, de seus políticos e da falta de quadros, poder-se-á sair da gramática que gera “Temers”, “Aécios” e “Rodrigos”. Basta que exponham seus quadros. Em 2014, só Armínio Fraga (com Aécio Neves) e Neca Setubal (com Marina Silva) colocaram a cara na vitrine.

Até o ano passado, a França parecia presa no dilema da falta de candidatos. Apareceu o meteoro Emmanuel Macron, fundou um movimento, elegeu-se e arrastou as fichas formando uma sólida maioria parlamentar. Antes de militar profissionalmente no Partido Socialista, Macron trabalhou no banco Rothschild. Nos últimos 50 anos, a Maison Rothschild produziu dois presidentes da França. O outro foi Georges Pompidou (1969-1974). O andar de cima francês faz política na vitrine. O brasileiro passa férias na França e fala mal de Pindorama.

A misteriosa segurança dos magistrados

Eremildo é um idiota e acha que qualquer crítica aos benefícios, mordomias ou férias de juízes, procuradores, desembargadores e ministros dos tribunais de Brasília é um atentado ao estado de direito.

O cretino entende que a notável sabedoria dos magistrados justifica o fato de alguns deles receberem de R$ 10 mil a R$ 40 mil por palestras. Ele concorda com o ministro Ricardo Lewandowski, que desossou uma decisão do Conselho Nacional de Justiça que os obrigava a divulgar quanto recebiam por tão exaustiva atividade. O ministro explicou que quis defender a integridade física dos doutores, porque “quando nós divulgamos valores econômicos, nós estamos sujeitos, num país em crise, num país onde infelizmente a nossa segurança pública ainda não atingiu os níveis desejados…”

Tudo bem, mas Eremildo não entende por que há magistrados protestando contra a decisão do Conselho Nacional de Justiça que mandou acabar com as placas especiais dos carros oficiais dos 365 desembargadores de São Paulo. Elas informam que o carro (pago pela Viúva) serve a um magistrado. Se os doutores devem ter a excelência de seus ganhos resguardada, não deveriam andar por aí com placas especiais. Mas o negócio parece ser outro, pois na reclamação informou-se que com placas iguais às da patuleia os doutores “estarão sujeitos a toda uma série de inseguranças em um trânsito caótico”.

O idiota desconfia que a segurança dos magistrados está no mundo do pós-verdade. Na hora de revelar ganhos, convém omitir. Na hora de andar na rua, onde vigoram as leis do trânsito, convém exibir.

O drible de Tasso

Tasso Jereissati deu um magnífico drible na banda tucana que estava aferrada ao governo Temer. Enquanto parecia medir as palavras dizendo que havia uma “tendência” para abandonar a carruagem, cabeceou apoiando Rodrigo Maia, em nome da “estabilidade”.

Falta definir “estabilidade” e combinar com os russos de Curitiba e da Procuradoria-Geral.

Sinal dado

O deputado Sergio Zveiter, relator do processo de Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça, apresenta-se e chega a ser saudado como um parlamentar independente.

Está no PMDB, mas esteve no PSD e no PDT. Foi secretário de Habitação do prefeito Eduardo Paes, de Justiça dos governadores Anthony Garotinho e Sérgio Cabral. Foi também secretário de Defesa do Consumidor de Rosinha Garotinho e do Trabalho de Pezão.Salvo Cabral, vão todos bem, obrigado.

Zveiter é filho de um ministro do STJ que se aposentou em 2001, e seu irmão Luiz presidiu o Tribunal de Justiça do Rio de 2009 a 2010. Reeleito no ano passado, teve sua posse impedida pelo Supremo Tribunal Federal.

Um parecer de Zveiter montando a guilhotina para Temer mostrará para onde sopram os ventos da independência dos governistas crônicos e do Judiciário do Rio.

Em casa

Sergio Zveiter mora em um dos bonitos edifícios da Praia de São Conrado e tem como vizinho o ex-prefeito Cesar Maia, pai de Rodrigo, herdeiro presuntivo de Temer.

Já o presidente da Câmara mora no prédio ao lado e tem como vizinho o atual ministro e ex-governador Moreira Franco, marido de sua sogra.

Chateau BNDES

Um conhecedor de palácios e castelos foi a um evento na presidência do BNDES e saiu com uma lastimável estatística.

Da garagem ao salão, entre guaritas, porteiros, seguranças e recepcionistas ele contou 11 bípedes.

A marca supera a das penitenciárias americanas que guardam presos condenados à morte.

Tensão

São muitos os cenários para um eventual desfecho do governo de Michel Temer. Um deles, estimulado pelas últimas rachaduras da política econômica é mais ou menos o seguinte:

Numa segunda-feira alguns jovens colaboradores de Henrique Meirelles vão ao seu gabinete a informam que, pelo andar da carruagem, decidiram desembarcar.

Na terça-feira Meirelles vai a Temer e diz que, diante desses fatos, ele também prefere saltar.

Na quarta, Temer salta.

A carruagem está tão desengonçada que o deputado Rodrigo Maia, um paladino da política de Meirelles, tornou-se um discreto defensor de alguns aspectos da farra tributária de Dilma Rousseff.

Recordar é viver

Durante o consulado petista, alguns comissários da área econômica e de sua periferia levaram a Joesley Batista uma ideia para que entrasse no ramo da comunicação.

Ele contou que pulou fora e não deixou o assunto prosperar.

Rodrigo x Temer

Seja qual for a opinião que se tenha a respeito da conduta do deputado Rodrigo Maia em relação a Michel Temer, até agora não há sinal público de que o presidente da Câmara esteja se mexendo para ocupar sua cadeira, com a intensidade com que o então vice-presidente se mexeu para derrubar a doutora Dilma.

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REFERÊNCIAS:
As informações são “O Globo”
Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/o-mercado-abandonou-temer-21569422

Sobre o Autor

Herbert Soares

Sou um amante do jornalismo. Muito embora não tenha tido oportunidade para me tornar um jornalista, de fato. Diante da felicidade do convite do Jornal de Caruaru, passo a colaborar com Clipping de notícias diversas. Algumas imagens e matérias postadas são de fontes diversas (internet). Caso você seja o detentor dos direitos de algum vídeo, imagem, texto ou qualquer outro conteúdo publicado e seja contrário a exibição em nosso site, favor entrar em contato conosco através do e-mail: jornaldecaruaru@gmail.com para que possamos retirar ou incluir os devidos créditos.

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