Bienal do livro é palco para o lançamento do Abecedário com mais de 140 personagens do folclore brasileiro

Além das figuras tradicionais, o livro aborda lendas como Anhangá, Buopé, Cumacanga, Mapinguari, Romãozinho, Teiniaguá

Figuras míticas foram reunidas em livro. Foto: FTD/divulgação

Figuras míticas foram reunidas em livro. Foto: FTD/divulgação

Saci-Pererê, Curupira, Iara e Lobisomem são personagens do folclore brasileiro amplamente conhecidos. Mas você já ouviu falar em figuras como Anhangá, Buopé, Cumacanga, Mapinguari, Romãozinho, Teiniaguá? Todos eles são verbetes do Abecedário de personagens do folclore brasileiro e suas histórias maravilhosas (Sesc São Paulo e FTD Educação, 416 páginas, R$ 55), obra fruto de vasta pesquisa feita pela jornalista e escritora Januária Cristina Alves. Neta e filha de pernambucanos, a autora retorna ao estado onde foi criada para participar da Bienal do Livro, às 19h desta segunda-feira (09), no Centro de Convenções, onde autografa o livro e ministra uma master class sobre o uso do folclore em sala de aula.

A viagem pelas manifestações da cultura oral foi, segundo ela, uma viagem às próprias memórias, de quando ouvia histórias fantásticas no Agreste pernambucano, mas também aos registros já feitos por pesquisadores, sendo Luís da Câmara Cascudo a principal referência. Ao invés de se limitar a reunir informações sobre cada uma das criaturas, Januária se propôs a fazer um passeio pelo universo mítico delas, indo além das características físicas e psicológicas, narrando o contexto ao qual pertencem. De origem indígena, europeia, africana e oriental, as lendas, agora reunidas, traduzem a diversidade do caldo cultural brasileiro.

Segundo a autora, o livro tem a proposta de ir além da meia-dúzia de figuras folclóricas ensinadas nas escolas e, mais ainda, de desconstruir o preconceito associado às histórias. “Esses frutos da cultura oral são vistos como se fosse a cultura dos iletrados, de quem não conhece mitologia grega. Na realidade, essa é a mitologia brasileira, o saber do povo, a memória ficcional do país”, defende Januária Cristina. Para ela, a obra preenche uma lacuna nos estudos culturais brasileiros e é uma contribuição para a formação cultural de crianças e adolescentes.

SERVIÇO

O uso do folclore brasileiro hoje na sala de aula (master class) e lançamento do livro Abecedário de personagens do folclore brasileiro

Quando: segunda-feira (10), às 19h

Onde: Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, no Centro de Convenções (Avenida Agamenon Magalhães, s/n, Complexo de Salgadinho, Olinda)

Quanto: R$ 10, R$ 7 (social) e R$ 5 (meia)

+VERBETES

CABELEIRA

Apelido de um assassino José Gomes, um assassino de mulheres e crianças de Glória de Goitá, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Quando decidiu atacar o Recife, acabou preso e foi condenado a morrer enforcado. Apontado como o primeiro cangaceiro do Norte, ganhou menções em obras literárias de João Cabral de Melo Neto e Franklin Távora.

CACHORRINHA D’ÁGUA

Quem conseguir enxergar a figura encantada que anda pelas margens do Rio São Francisco, diz a lenda, terá riquezas sem fim. Trata-se de uma cachorra branca com uma estrela na testa. Foi mencionada por Carlos Drummond de Andrade no poema Águas e mágoas do rio São Francisco (1977), publicado no livro Discurso de primavera e algumas sombras.

LOIRA DO BANHEIRO

À semelhança da figura mitológica de Narciso, a Loira do Banheiro era uma moça muito vaidosa. Um dia, enquanto se olhava no espelho do banheiro da escola, assustou-se com um vulto e escorregou em uma poça d’água, batendo a cabeça no chão e morrendo. Segundo a história popular, ela virou um fantasma conhecido por assombrar banheiros de colégios.

PAI DO MATO

O monstro de cabelos desgranhados e unhas com mais de dez metros é capaz de gritar muito alto, fazendo a mata estremecer. Com o hábito de engolir pessoas vivas, é popular em algumas regiões do Nordeste e do Norte do país. Em Pernambuco, é descrito como um bicho com pés de cabrito e com o corpo cheio de pelos, assim como o Mapinguari e o Bicho-Homem.

QUEIJO DO CÉU

De origem europeia, a lenda conhecida em Pernambuco dá conta de um queijo grande, delicioso e feito por anjos. Ele só pode ser cortado por esposos que, em vida, foram fiéis. É, portanto, um símbolo da felicidade conjugal, assim como o doce bem-casado. De origem religiosa, a história surgiu em procissões de Recife, Olinda, onde supostamente ocorriam cerimônias com o ingrediente.

 

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Categorias: Caderno Cultural

Sobre o Autor

Esther Vivacqua

Estudante. colaboro com Clipping de notícias de culinária, dos famosos e do Caderno Cultural no Jornal de Caruaru. Algumas imagens e matérias são de fontes diversas (internet). Caso você seja o detentor dos direitos de algum vídeo, imagem, texto ou qualquer outro conteúdo publicado e seja contrário a exibição em nosso site, favor entrar em contato conosco através do e-mail: jornaldecaruaru@gmail.com para que possamos retirar ou incluir os devidos créditos.

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