Crônica do Dia – Candidato ficha limpa – Por Jair Humberto Rosa

Quando resolvi votar no candidato, o que não foi uma decisão nada fácil, eu não imaginava que ele tivesse necessidade de se declarar um “ficha limpa”. Foi no momento visualizei a sua publicidade estampada pela cidade toda, que comecei a desconfiar.

Jair Humberto Rosa

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Ora, na minha ingenuidade política, imaginava que todos teriam a obrigação de ser “ficha limpa”. Se assim fosse, então não haveria nenhuma necessidade de gastar recursos financeiros para fazer tal divulgação. Passei a fazer conjecturas, e levantei a hipótese de que a publicidade poderia estar sendo custeada com recursos públicos, ou seja, dos contribuintes, inclusive eu.

Preciosismo de minha parte, isso foi o que ouvi de dois amigos, já que, entendiam eles, diante de tanta gente problemática atuando nesse ramo, os poucos que podem ser considerados probos precisam divulgar os seus perfis de homens públicos honestos, íntegros e trabalhadores. A princípio concordei com eles. Até porque amigos são poucos e é bom concordar pelo menos de vez em quando, para que não comecem a nos achar excessivamente chatos e intransigentes, e desapareçam.

Entretanto, como sou mesmo chato e intransigente, foi por pouco tempo que aceitei suas teses.

De minha parte, o candidato perdeu qualquer possibilidade de adesão, com a sua iniciativa de proclamar ao eleitorado que era um político do bem. Se ele tinha necessidade de afirmar isso, alguma coisa não estava correta, a meu ver.

Nunca vi nem ouvi meliante algum dizer que cometeu delitos. Pelo contrário, ilustres ocupantes e ex-ocupantes dos mais diversos e elevados cargos vociferam que jamais cometeram um ato indigno sequer. Dizem que tudo não passa de perseguição dos adversários, da imprensa, da polícia, da justiça, dos ex-companheiros.

Como quem é poderoso consegue demorar décadas para serem julgados, suas fichas ficam limpas até passarem as próximas eleições, sendo poucos os que pagam pelo que fez.

Para dirimir algumas dúvidas de alguns eleitores que leram no jornal ou ouviram alguém falar algo sobre sua conduta, o candidato a quem me refiro resolveu antecipar-se e propagar que era um “ficha limpa”. Eu, que sou minoria, fiquei de “orelha em pé” e descartei-o. O que não significa dizer que encontrei uma opção melhor.

Sempre existem pessoas dispostas a acreditar no que dizem os candidatos, e também têm aqueles que sabem da verdade, mas não se importam. Os“fichas limpas” sabem disso e administram cada situação que surge.

Uns mentem, outros dão agrados para atingirem seus objetivos.

Embora tanto um quanto o outro sejam abomináveis, “menos pior” do que o dissimulado é aquele que ouvi um dia dizer:

– Gosto de gente interesseira. Porque sei quanto custa.

O candidato “ficha limpa” perdeu meu voto. Mas nem por isso perdeu a eleição.

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Sobre o Autor

Jair Humberto Rosa

É membro da Academia de Letras do Brasil Central, foi o primeiro presidente da Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba – ALAMI. Foi presidente da Fundação Cultural e vice-presidente do Conselho Municipal de Educação de Ituiutaba. É mestre em Psicologia Educacional e em Psicopedagogia.

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