Crônica do Dia – VAI DORMIR MARIA, VAI – Por Zélia Maria Freire

Que procuras? Tudo. Que desejas? – Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
(Despedida /Cecilia Meireles)

Zélia Maria Freire

Zélia Maria Freire

Enquanto isto Maria me dizia: O meu caminhar é um caminhar sem volta, solitário, voltado para dentro de mim, a cada passo que dou vou descobrindo sentimentos; se em algum momento infelicidade sinto ou frustrações reconheço, culpo-me por eles. E quanto brigo comigo! Assim, vou seguindo a estrada da vida sem atropelar ninguém – mesmo nesta estrada não havendo nenhuma sinalização – ando devagar, ziguezagueando , não levo nada nas mãos, não tenho pressa, se canso paro, depois do descanso prossigo; não tenho horizonte, não tenho ponto de chegada, nem a poeira nem o suor do meu rosto me atrapalham, não tenho ninguém a minha espera, não sei nem ao menos o que me aguarda na próxima curva. E se não percebo o dia passar, pouco importa que a semana voe, o mês acabe e que o ano finde. Eu continuo eu, tal qual Letícia Thompson esperando que uma hora ou outra minhas mãos se abram e o vento carregue esta minha vida.

Nesse ponto a Maria ficou calada, ai eu indaguei: Acabou, Maria? Ela respondeu: sim. Então, eu disse: vai dormir Maria, vai… E ela foi, mas nem deu boa noite…

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Sobre o Autor

Zélia Maria Freire

ZÉLIA MARIA FREIRE É membro da Academia Feminina de Letras do Rio Grande do Norte, autora do livro “EU TINHA UM PEDAÇO DE MAR" Foi classificada no concurso de poesias John Perry em Dallas USA. Escreve para o Recanto das Letras, mais de 1.300 textos publicados e agora, também, para o Jornal de Caruaru.

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